PERGUNTAS E RESPOSTAS

Qual a relação entre o desmatamento da Amazônia e o consumo de carne?
De acordo com relatório publicado pela ONU para Alimentação e Agricultura (FAO), 80% do desmatamento da Amazônia brasileira está ligado à pecuária.
Dentre as 10 cidades da Amazônia nas quais foram registrados mais focos de incêndio entre janeiro e agosto de 2019, 3 delas estão em primeiro lugar no ranking de municípios com maior número de bovinos de seus respectivos estados, sendo a cidade de São Félix do Xingu (PA) onde se encontra o maior rebanho de bovinos por município do Brasil. No sudoeste do Pará, fazendeiros chegaram a realizar um “dia do fogo”, promovendo queimadas simultâneas às margens da Rodovia BR 163.

Os focos de incêndio da Amazônia não são resultado apenas do tempo seco?
De acordo com pesquisadores do Ipam, na região central da Amazônia, os incêndios naturais são muito raros. A maior parte dos incêndios se inicia por ação humana. E, no caso de grandes áreas desmatadas, os incêndios são realizados como método de ‘’limpeza’’ do terreno com o principal objetivo de criar pastagem para bois. O elevado número de focos de queimadas na Amazônia neste ano, que já é 60% superior à média dos últimos 3 anos, está sendo impulsionado pelo avanço do desmatamento na região.

O problema está somente no consumo de carne bovina ou “vermelha”?
Existe uma profunda conexão entre o consumo de qualquer produto de origem animal com a destruição do meio ambiente, seja pelo desmatamento de biomas como a Amazônia e o cerrado para abertura de pastagens ou produção de soja e milho destinados para ração, pela contaminação do solo e da água com dejetos ou ainda pelas enormes emissões de gases de efeito estufa.
A produção de produtos de origem animal é dezenas de vezes mais ineficiente do que a produção de produtos de origem vegetal. Para cada 1 quilo de proteína de origem animal, os animais são alimentados com 6 quilos de proteína vegetal. Em média, para cada 1.000 calorias produzidas sob a forma de carne, um animal consome cerca de 10 mil calorias – um desperdício de 90% do alimento consumido. Isso não é apenas ineficiente; com o crescimento da população humana e a redução da disponibilidade de água doce, é insustentável.
A produção de carnes – incluindo carne de porcos, frangos e peixes criados em cativeiro – ovos e laticínios usa 83% das terras cultiváveis do planeta para pastagens e produção de ração, e é responsável pela maioria das emissões de gases de efeito estufa provenientes da produção de alimentos, mas fornece apenas 18% das calorias consumidas globalmente.

A plantação de soja é também responsável pelo desmatamento da Amazônia?
Ainda que em menor proporção, as plantações de soja e milho também contribuem para a destruição da Floresta Amazônica, especialmente no estado do Mato Grosso. A soja é considerada uma das principais responsáveis pelo desmatamento intenso de outro bioma brasileiro importantíssimo, o cerrado. Aproximadamente 80% desses grãos são destinados para alimentação de frangos, porcos e peixes criados em cativeiro. Menos de 20% da soja produzida é destinada para consumo humano.

O que acontecerá se não impedirmos o desmatamento da Amazônia?
A destruição da Floresta Amazônica tem consequências globais e está relacionada a grande parte das mudanças climáticas. Isso porque, as florestas tropicais retêm grandes quantidades de gases de efeito estufa, que são liberados na atmosfera quando as árvores são cortadas, contribuindo substancialmente para o aumento da temperatura global. A Floresta Amazônica armazena entre 150 bilhões e 200 bilhões de toneladas de carbono. A Amazônia leva umidade para toda a América do Sul, e é fundamental para estabilizar o regime de chuvas na região e o clima global. Além disso, floresta Amazônica representa um terço das florestas tropicais do mundo, além de abrigar a biodiversidade mais rica do planeta.Como resultado do desmatamento, até 65% da Amazônia corre o risco de se transformar em uma savana degradada ao longo dos próximos anos.

Reduzir ou eliminar o consumo de carne pode ser prejudicial a economia do nosso país? E quanto aos trabalhadores da indústria da carne?

Para cada 1 milhão de reais de receita com a pecuária bovina, são gerados 22 milhões de custos ambientais e de perda de capital natural. Entendemos que fomentando mercados de produtos vegetais, muito mais sustentáveis, podemos preservar meio ambiente e o futuro do nosso planeta, e ao mesmo tempo gerar renda e oportunidades. A economia do país hoje depende muito da pecuária porque são produzidos muitos alimentos de origem animal. A medida que forem produzidos outros produtos, a economia dependerá desses novos produtos. Essa mudança já está acontecendo, hoje o mercado de produtos de origem vegetal já movimenta US$ 50 bilhões ao ano e transforma a indústria mundial.

Uma dieta livre de produtos de origem animal pode ser prejudicial à saúde?
Diversos estudos científicos vêm demonstrando que a dieta livre de produtos de origem animal não só é completa e saudável, como é capaz de melhorar significativamente a nossa saúde. Em um deles, os voluntários que seguiram uma dieta à base de vegetais apresentaram 16% menos risco de ter uma doença cardiovascular, 32% menos risco de morte por doença cardiovascular e 25% menos chance de mortalidade por todas as causas generalizadas de adultos de meia-idade. Para saber mais clique aqui.

Se a pecuária acabar, onde os vegetais seriam plantados? Ainda haveria desmatamento?

Atualmente 79% da soja e milho produzidos no Brasil são usados para alimentar frangos, porcos e peixes, ao invés de alimentar diretamente seres humanos. A produção de carnes (incluindo porcos, frangos e peixes criados em cativeiro), ovos e laticínios usa 83% das terras cultiváveis do planeta para pastagens e cultivo de grãos para ração. Em uma área de 1 hectare, na qual seriam produzidos apenas 60 kg de carne, é possível produzir 28.000 kg de batata e 5000 kg de milho. Isso significa que não haveria necessidade de novas áreas e de desmatamento para o cultivo de vegetais, bastaria utilizarmos os recursos já existentes que hoje são repassados aos animais. Estima-se que sem a necessidade de criar e alimentar animais para consumo humano, seria possível alimentar mais 3,5 bilhões de pessoas, o equivalente a metade da população mundial atual, com terras agrícolas já existentes. Um estudo da Universidade de Oxford estima que se todos nós virássemos vegetarianos, poderíamos dedicar 80% das áreas que hoje são pastos ao reflorestamento, o que aumentaria a absorção de carbono e aliviaria as mudanças climáticas.

Se as pessoas pararem de consumir produtos de origem animal o que acontece com esses animais? Eles vão continuar procriando e comendo pastagens?
Os animais ditos de consumo reproduzem-se de acordo com a intenção humana de serem abatidos com certa idade e peso. A maior parte da indústria animal utiliza métodos de reprodução artificial e controlados. Os porcos são mortos com 6 meses de vida e os frangos com apenas 40 dias. Os bovinos também são mortos ainda jovens, com 2 anos de vida. Isso significa que com a redução gradual no consumo de produtos de origem animal a indústria animal ajustaria sua “produção” de acordo com a demanda decrescente.

O gás metano é compensado pelas pastagem? Quais as emissões de gases pela pecuária?
De acordo com o relatório das Nações Unidas, estima-se que ¼ das emissões globais de gases de efeito estufa oriundas de atividades humanas resultam do desmatamento, da pecuária e do uso de fertilizantes. Enquanto a produção de 1 quilo de vegetais emite em média 1 a 2 quilos de CO₂, produzir 1 quilo de carne bovina no Brasil emite gases de efeito estufa equivalentes a 80 quilos de CO₂. No caso da carne produzida em áreas desmatadas, esse valor sobe para 440 a 700 quilos de CO₂.Um estudo realizado pela universidade Oxford estima que se o mundo todo passasse a ser vegano – sem consumir nenhum produto de origem animal – a queda das emissões ligadas à produção de alimentos seria de cerca de 70%.

Por que vocês não falam de outras iniciativas que podem proteger o meio ambiente?
Certamente apoiamos outras iniciativas que visem a proteção do meio ambiente. O foco da campanha é a redução do consumo de carne, por entendermos que a simples redução ou a eliminação do consumo de produtos de origem animal pode causar um impacto enorme na preservação do meio ambiente. De acordo com o relatório das Nações Unidas, estima-se que ¼ das emissões globais de gases de efeito estufa oriundas de atividades humanas resultam do desmatamento, da pecuária e do uso de fertilizantes.

Para onde vai a carne produzida na Amazônia?
De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), 79,6% da carne bovina do Brasil foi destinada ao mercado interno em 2018.
Outra prática a que são submetidos os bois criados na Amazônia é a exportação de animais vivos. Em 2018, o Pará foi o estado que mais desmatou a Amazônia. Nesse mesmo estado ocorrem 65,7% dos embarques de animais vivos para exportação. O destino principal desses animais é o Oriente Médio.

Sou uma empresa/instituição, o que posso fazer para ajudar a preservar a Amazônia?
Você pode ser um dos líderes desse movimento global por meio da parceria com o programa Alimentação Consciente Brasil, que presta consultoria gratuita a instituições que servem refeições em larga escala, como refeitórios de escolas, universidades, restaurantes populares e instituições de assistência social com objetivo de viabilizar a substituição de pelo menos 20% dos produtos de origem animal por de origem vegetal, promovendo saúde e sustentabilidade. Para saber mais clique aqui.

Por que colocar toda a culpa no pecuarista?
O problema realmente não é o pecuarista. Ele participa de um sistema destruidor e também é uma vítima dele. A pecuária hoje é onde está a maior parte do trabalho escravo no Brasil. É a maior causadora dos processos de desmatamento, desertificação do solo, poluição de rios e de um processo ineficiente de geração de alimentos, além de confinar e matar bilhões de animais ainda bebês. Já o sistema agrário baseado em vegetais é muito mais sustentável, produtivo e eficiente. A culpa não é apenas do pecuarista, mas de todo o sistema de consumo que é baseado em hábitos alimentares altamente ineficientes e danosos ao meio ambiente. Por isso, a melhor forma de transformarmos essa realidade em um espaço curto de tempo é reduzindo ou eliminando o consumo de produtos de origem animal.

E as outras Florestas (ex. Atlântica) não temos que cuidar/salvar/preservar?
Sim. A preservação de todas as florestas é importante. A produção de carnes (incluindo porcos, frangos e peixes criados em cativeiro), ovos e laticínios usa 83% das terras do planeta para pastagens e cultivo de grãos para ração. É um sistema extremamente improdutivo, ruim para os animais, para o meio ambiente e para as pessoas.

Os dados da ONU/FAO que vocês utilizam são confiáveis?
Sim. A Organização para Agricultura e Alimentação (FAO) é uma agência especializada das Nações Unidas que lidera os esforços internacionais para prover uma rede de conhecimento global. Eles utilizam a experiência de equipes multidisciplinares – engenheiros agrônomos, florestais, especialistas em pesca e pecuária, nutricionistas, cientistas sociais, economistas, estatísticos e outros profissionais – para coletar, analisar e disseminar dados que auxiliam o desenvolvimento global.

Vi diversas informações na internet sobre dados relacionados ao desmatamento da Amazônia, o que é verdade?
Entendemos que o assunto é complexo e que há muita informação conflitante na internet. Por isso, utilizamos em nossa campanha dados de órgãos e instituições, nacionais e internacionais, renomadas e de alta credibilidade, como ONU, FAO, Ipam, Inpe, Embrapa e ICMBio.

FONTES
1. http://www.fao.org/3/a-i5588s.pdf
2. https://ipam.org.br/wp-content/uploads/2019/08/NT-Fogo-Amazo%CC%82nia-2019-1.pdf
3. https://sidra.ibge.gov.br/tabela/3939
4. https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2019/08/em-dia-do-fogo-sul-do-pa-registra-disparo-no-numero-de-queimadas.shtml
5. https://epoca.globo.com/sociedade/instituto-da-amazonia-incendios-sao-causados-pela-acao-humana-23899285
6. https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,aumento-no-numero-de-queimadas-esta-relacionado-a-alta-de-desmatamento-aponta-estudo,70002975548
7. https://svb.org.br/livros/impactosdapecuaria.pdf
8. https://science.sciencemag.org/content/360/6392/987
9. https://www.greenpeace.org/brasil/blog/relatorio-conecta-gigantes-do-agronegocio-ao-desmatamento-no-cerrado/
10.https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/reducao_de_impactos2/agricultura/agr_soja/
11.http://www.agrolink.com.br/culturas/milho/informacoes/comercializacao_361415.html
12. http://climate.globalforestwatch.org/map/3/15.00/27.00/ALL/dark/biomass_loss?begin=2001-11-10&end=2018-01-01&threshold=25
13. https://pulitzercenter.org/reporting/amazon-used-be-hedge-against-climate-change-those-days-may-be-over
14. https://g1.globo.com/natureza/noticia/por-que-a-amazonia-e-vital-para-o-mundo.ghtml
15. https://ipam.org.br/cartilhas-ipam/a-importancia-das-florestas-em-pe/
16. https://g1.globo.com/natureza/noticia/por-que-a-amazonia-e-vital-para-o-mundo.ghtml
17. https://cebds.org/wp-content/uploads/2015/07/GIZ-Natural-Capital-Risk-Exposure.pdf
18. https://www.istoedinheiro.com.br/sem-carne-com-lucro/
19. https://www.gwp.org/globalassets/global/toolbox/references/the-environmental-crisis.-the-environments-role-in-averting-future-food-crises-unep-2009.pdf
20. https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-38129638
21. https://www.ipcc.ch/site/assets/uploads/2019/08/2b.-Chapter-1_FINAL.pdf
22. https://www.svb.org.br/livros/comendo_o_planeta.pdf
23. http://www.abiec.com.br/Sumario2019.aspx
24.http://terrabrasilis.dpi.inpe.br/app/dashboard/deforestation/biomes/legal_amazon/rates
25. https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/04/porto-de-santos-concentra-apenas-66-de-exportacoes-de-boi-vivo.shtml
26. https://canalrural.uol.com.br/noticias/pecuaria-lidera-lista-trabalho-escravo-brasil-9289/
27. https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/a-agropecuaria-os-problemas-ambientais.htm
28. http://www.fao.org/about/how-we-work/es/